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Como mensurar a Sustentabilidade?

02/05/2019

Na medida que a comunidade científica começa a nos alertar sobre impacto dramático das mudanças climáticas causadas pelo homem, as organizações se preocupam cada vez mais com o tema de Sustentabilidade. E por isso as empresas, que no passado se resumiam a perseguir questões econômicas, como custos ou lucratividade, passaram a introduzir a Sustentabilidade em suas estratégias para assim contribuir com as expectativas da sociedade. Mas nesse longo percurso de implantar modelos de negócios sustentáveis, muitas organizações enfrentam um grande desafio: Como mensurar a Sustentabilidade? Para muitas empresas a simples adoção de uma norma como a ISO 14001 pode ser um bom ponto de partida, já para outras há necessidade de elaborar um modelo mais completo e complexo de indicadores para mensurar a Sustentabilidade.

 

 

 

Diferente de indicadores financeiros, que via de regra são muito objetivos (a empresa teve lucro ou prejuízo), a maioria dos indicadores de Sustentabilidade são abertos a interpretação. Por exemplo: descobrir quanta água uma organização gasta e posteriormente implementar um plano de redução de água, não faz dessa organização 100% sustentável, até porque esse consumo de água pode não ser o melhor se comparado com outras empresas do mesmo ramo. Outro ponto aberto ao questionamento da Sustentabilidade é se uma empresa adota um grupo de indicadores como o Global Reporting Initiative (GRI), isso faz dela mais sustentável do que outra que não adota esses indicadores, mas que inova constantemente para reduzir sua pegada ecológica no meio ambiente e na sociedade.

 

Aliás, falando de sociedade, um erro muito comum é pensar que a Sustentabilidade se refere apenas a questões relacionadas ao meio ambiente. Na realidade, a Sustentabilidade deve incluir fatores de responsabilidade social e de direitos humanos, com foco estratégico em como as operações da empresa impactam seu entorno. Lembro de uma grande empresa que visitei há muitos anos e o Diretor com muito orgulho me disse: “Nós somos sustentáveis, fazemos tudo certo pelo meio ambiente”. Isso aconteceu quase no fim do expediente, enquanto eu observava mais de 200 veículos dos funcionários saindo nas ruas da vizinhança, causando um grave - e em nada sustentável - impacto nas pessoas que moravam nas ruas próximas à essa empresa. Isso mostra que Sustentabilidade é um tema que todos gostam de falar, mas nem todos sabem como implantar ou mensurar.

 

O conceito de Sustentabilidade foi definido de uma forma mais objetiva com a publicação do Relatório Brundtland “O nosso futuro comum” (1987). Segundo o relatório, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED), o modelo de desenvolvimento sustentável é satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. O desenvolvimento sustentável engloba três pilares: Dimensão ambiental, social e econômica. E é nesse contexto que sugiro algumas maneiras para mensurar a Sustentabilidade nas empresas.

 

O primeiro passo é estudar e entender três modelos reconhecidos no mercado, tidos como os melhores para mensurar e implantar a Sustentabilidade nas empresas:

  • O modelo inicial a ser estudado é o conjunto de normas ISO 14001, ISO 14031 e ISO 26000 da International Society of Standards (ISO). A norma 14001 auxilia as empresas a identificarem e gerenciarem seus riscos ambientais como parte de suas práticas de negócios. Esta norma permite implementar, manter e melhorar um sistema de gestão ambiental para assegurar conformidade com a política ambiental e demonstrar tal conformidade com as partes interessadas. A norma 14031 trata das diretrizes para a avaliação do desempenho ambiental por meio da utilização de indicadores. Esta norma propõe duas categorias de indicadores a serem considerados na condução da Avaliação de Desempenho Ambiental (ADA): o Indicador de Condição Ambiental (ICA) e o Indicador de Desempenho Ambiental (IDA). Para completar este primeiro grupo, temos a norma ISO 26000. Esta norma tem como o foco a responsabilidade socioambiental (RSE) e surgiu como uma ferramenta para facilitar o trabalho das empresas na criação de iniciativas para atender expectativas da sociedade. Por não buscar certificação, ela é opcional. A ISO 26000 pode ser incorporada por empresas que já tenham experiência com RSE e queiram desenvolver mais este aspecto ou por organizações que gostariam de desenvolver sua responsabilidade social e sustentabilidade.

  • O segundo modelo a ser estudado são as diretrizes para relatórios de sustentabilidade do Global Reporting Initiative (GRI). O GRI é uma organização internacional sem fins lucrativos que promove o uso do relatório de sustentabilidade como forma das empresas contribuírem para o desenvolvimento sustentável. Trata-se de um modelo global de indicadores que ganharam adesão por oferecerem um framework para que organizações de diferentes portes e setores apresentem seu desempenho em Sustentabilidade. Os relatórios constituem uma plataforma para as empresas divulgarem suas iniciativas relacionadas ao Pacto Global e aos Objetivos do Milênio, além de estarem alinhados com os Índices de Sustentabilidade da bolsa de Nova Iorque (DJSI). No Brasil, os relatórios GRI estão alinhados com diversas iniciativas, tais como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa e os Indicadores de Autoavaliação do Instituto Ethos.

  • Finalmente, o terceiro modelo a ser avaliado são os Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis. Os Indicadores Ethos são uma ferramenta cujo objetivo é apoiar as organizações na adoção da Sustentabilidade e da responsabilidade social empresarial (RSE). A ferramenta tem um questionário que permite o autodiagnóstico e os indicadores avaliam quanto a Sustentabilidade tem sido incorporada à organização. 

Feita a análise e entendendo os modelos acima, o segundo passo é olhar para a empresa sob a ótica do material estudado e tirar um raio X para saber onde a organização se situa e elaborar um relatório estratégico que considere as principais orientações dos frameworks já mencionados. Este relatório será a base para fundamentar o próximo passo. 

 

O terceiro passo é definir quais indicadores, os chamados KPIs, atendem todas as partes interessadas e são relevantes para o modelo de negócios da empresa considerando o contexto levantado no relatório estratégico de sustentabilidade. Por exemplo, para falar de KPIs relevantes, de nada adianta economizar água na fábrica, se o produto produzido, quando descartado, polui exageradamente o meio ambiente. 

 

O quarto passo é definir como a organização acompanhará esses indicadores, quais metas serão estabelecidas, como essas metas serão comunicadas e o modelo de implantação de novos hábitos organizacionais e processos produtivos a fim de atingir diversos degraus de melhorias da sustentabilidade na empresa. Aqui vale utilizar um modelo simples de PDCA para ter certeza que os KPIs estão ajudando a empresa a evoluir em todas as áreas.

 

Finalmente, o quinto passo é garantir que os KPIs de Sustentabilidade estejam atualizados com as expectativas da sociedade. Por exemplo, como estão os resultados das campanhas de inclusão social, digital ou de diversidade de gênero ou raça na organização. Ou seja, a empresa está conseguindo dar um retorno significativo para a sociedade e para o meio ambiente? Se a resposta for não, é importante corrigir o rumo, e se for sim, a empresa terá conseguido sucesso na jornada de Sustentabilidade pois a sociedade, o meio ambiente e os lucros não podem mais andar separados.

 

 

 

 

 

 

 

 

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